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"Todos os humanos têm uma capacidade inata de curar experiências traumáticas."

  • Foto do escritor: João Paulo de Carvalho Maschio
    João Paulo de Carvalho Maschio
  • 27 de mar.
  • 1 min de leitura

Existe uma inteligência no corpo que não depende apenas da nossa vontade consciente. Uma sabedoria mais antiga, orgânica, que constantemente busca reorganização, equilíbrio e vida. O trauma, nessa perspectiva, não é apenas o que aconteceu mas o que ficou interrompido no sistema nervoso: respostas de defesa que não puderam se completar, ciclos que não encontraram fechamento.


A cura não precisa ser “colocada de fora para dentro”. Ela já existe como potencial.


Quando criamos condições de segurança no vínculo terapêutico, na relação com o próprio corpo, no ritmo adequado de contato com a experiência o sistema nervoso começa, espontaneamente, a reorganizar aquilo que ficou pendente. Tremores, respiração, emoções, impulsos… tudo isso pode ser parte de um movimento de conclusão que o corpo estava aguardando.


Curar o trauma não significa apagar o passado.

Significa permitir que o corpo atualize a experiência, reconhecendo que o perigo já passou e que novas respostas são possíveis.


Mas essa capacidade inata não se ativa sob pressão, nem sob julgamento. Ela emerge em contextos de segurança, presença e co-regulação.


O trabalho terapêutico é menos sobre “forçar mudanças” e mais sobre sustentar condições. Menos sobre controlar o corpo e mais sobre escutá-lo.


Porque, no fundo, o corpo não precisa aprender a curar.

Ele precisa de espaço para fazer aquilo que sempre soube.

 
 
 

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